
The end
Terminei o Mandrake e mal me animo a escrever sobre este último livro de Rubem Fonseca.
Infelizmente, as expectativas da crítica estavam corretas. Nas duas aventuras entrelaçadas há não mais que meia dúzia de centelhas que lembram a potência de obras como A Grande Arte, O Cobrador, A Coleira do Cão, Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, O Caso Morel etc.
Resta, porém, minha primeira certeza: um grande autor tem mais que direito de escrever livros menores. Até porque são menores somente em relação à grandiosidade do conjunto de sua obra. E minha segunda convicção: Fonseca é um grande autor mesmo num livro assim, escrito às pressas, descuidado, cheio de clichês. É grande mesmo em um dos seus menores trabalhos.
Selassié, o Escolhido por Deus
No momento estou atacando O Imperador, livro-reportagem do jornalista polonês Ryzard Kapuscinski (o teclado não me permite acentuar o primeiro “s” e o “n”). Esse bom polaco cobriu nada menos do que 27 golpes de Estado na Índia, Paquistão e diversos países da África e América Latina.
O Imperador é um criativo registro da trajetória de Hailé Selassié I, que governou a Etiópia por 44 anos, configurando-se como um dos maiores tiranos (e insaciáveis corruptos...) da recente história da humanidade.
Parte da narrativa é traçada a partir de depoimentos de ex-funcionários do hipersuntuoso palácio imperial. Caras que tinham funções esquisitas sob cargos mais ainda, como “ajeitador de almofadas” ou “portador de bolsa”. Havia homens encarregados de limpar, usando cortes da mais fina seda, o xixi que o cachorrinho imperial disparava contra os pés dos guardas proibidos de qualquer movimento durante as cerimônias da corte. Foi um reino de luxos extremos, quase uma teocracia mantida à base do terror, contrastando com a realidade famélica de crianças esqueléticas entregues à sarna e às moscas num dos lugares mais miseráveis do mundo contemporâneo. Selassié parece o comandante de um povo esquecido por Deus. O mesmo Deus por quem ele garantia ter sido escolhido. Um livro bacana. Aula de jornalismo, política e história.
G.M.
6 comentários:
UTILIDADE PÚBLICA: Estivemos fora do ar por dois dias para troca de equipamentos. Gus trocou a marca do café que bebe pela manhã. Tali trocou o creme demaquilante. Feitos esses aperfeiçoamentos, voltamos, novos em folha.
Welcome back to the Matrix, dear softwares.
Welcome back to the Matrix, dear softwares.
E Bob Marley era fã desse cara.
Quem diria hein? Jah live, como cantava o próprio.
Também adorei te conhecer, Dani! É só marcar, agiliza com o Gus e a Tali um happy hour. Parabéns por hoje! Beijão
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