Os desvarios de Auster
Estou impressionado com as semelhanças entre a prosa de Paul Auster e alguns dos autores de que mais gosto. Eu havia lido sua Trilogia de Nova York, faz algum tempo. Lembro que não achei grande coisa, com todo o respeito. Mas neste seu Desvarios no Brooklyn, Auster me bateu a carteira. Não sei se é porque estou gostando ou se estou gostando justamente por isso, mas o fato é que percebo notas de Albert Camus, Isaac B. Singer e F. Scott Fitzgerald. Este último pela simplicidade inatingível da narrativa de Suave é a Noite. Uma lição completa de "como escrever". Aliás, o exigente Paulo Francis não se cansava de citar Suave é a Noite como um dos grandes livros da literatura universal e um dos seus prediletos.
Vejam uns trechos de Auster que separei pra vocês:
“Eu procurava um lugar sossegado para morrer. Um dia alguém me recomendou o Brooklyn , e já na manhã seguinte saí de Westchester e fui sondar o terreno. Fazia cinqüenta e seis anos que eu não punha os pés ali e não me lembrava de quase nada”, é assim que começa o livro.
Depois,...
“Tom escorregara do patamar dos ungidos e o tombo, pelo visto, abalava a fé que os amigos tinham em si mesmos e abria as portas para novas dúvidas quanto às próprias perspectivas para o futuro.”
Mais à frente, ...
“A inteligência de Tom não fora empanada pelo emprego de taxista, mas não havia mais ninguém interessado em ouvir o que ele tinha a dizer, muito menos as mulheres com quem conversava e que, de um rapaz, esperavam uma cabeça cheia de idéias ousadas e planos dinâmicos para conquistar o mundo.”
Logo adiante...,
“Eu prefiro um malandro ardiloso a um caxias consciencioso a qualquer hora do dia ou da noite.”
Ainda estou longe de terminar os desvarios de Auster. Pretendo passear sem pressa pelas 324 páginas. E muito possivelmente não chegarei ao fim hoje. À noite, irei ao concerto de John Pizzarelli.
G.M.
PS: a quem não sabe, a Tali está na cidade bacana onde nasceu a Bossa Nova. Voltará a escrever na segunda-feira.
PSII: a quem não sabe parte 2, Bela Figueiredo deverá passar os próximos dias na cidade onde nasceu a boa música de Nei Lisboa.
Devaneios, alguma literatura e desabafos...
sábado, outubro 22, 2005
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