- Há vegetarianos em todas as religiões.
- Vegetariano por vegetariano, leia o Adriano.
- Isso aí.
- Mas esse judeu era vegetariano por causa da saúde. Não?
- É. Mas ele dizia que era pela saúde dos bois e das galinhas.
- Vai gostar de animais assim no inferno... Era vegetariano com inclinação à veterinária.
...
- Essas crianças só estudam! Tão branquinhas...
- É. Música, filologia, línguas. E ainda tem o colégio.
- Parece vida de adulto.
- Ou então elas foram convencidas de que estudar é divertido. É assim que se adestra um intelectual desde filhote. Depois, ficam uns chatos. Ou uns gênios. Ou se matam.
- Eu, hein...
...
- Isso aqui não é mais a minha casa.. É uma prisão.
- Ah, não exagera...
- É uma prisão que eu mesmo abasteço. Sou uma mistura de prisioneiro e provedor.
- Bom, eu só queria dar Feliz Natal.
Silêncio.
- Tá. Feliz Natal.
- A gente se fala.
- É, se fala.
...
- Olha aquela placa: “Vendemos galos e galinhas”.
- Será que vendem vivos?
- Claro.
- Por quê?
- Do contrário seria: “Vendemos frangos”. Se os bichos estão mortos, não importa o sexo.
- Pode ser...
- Essas questões de gênero só interessam em vida. Sem penas e funções vitais ativadas, não existem galo e galinha. Existem frangos. Sempre achei a morte um tanto feminista.
- É...
...
- Cabo Polônio?
- É uma praia esquisita no Uruguai. Um dedinho fino de terra avançando dentro do oceano.
- Sei. Tipo praia de artista?
- Tipo. Cheio de argentinos, chilenos, uruguaios. Não tem energia elétrica.
- Eu ia perguntar pelo asfalto e o ar condicionado. Acho que nem precisa...
- Tem que levar até cigarro, pra garantir.
- Deus me proteja...
...
- Falam que é literatura infanto-juvenil. Eu acho que é literatura. Ponto.
- Também não gosto desses rótulos. Dizem que quando Franz Kafka leu “A metamorfose” pros seus amigos eles se dobraram de rir. Classificaram a novelinha como comédia.
- Ele deve ter ficado puto.
- Não sei se ficou puto. Mas ficou triste porque teve certeza de não ter atingido seu objetivo.
- Por isso a gente não deve ter objetivos quando escreve. Entrou nessa de objetivo, se fodeu. Mesmo escrevendo um livro tão bom que a gente lê 80 anos depois.
- É isso aí. O negócio é escrever à toa. Ao caralho com os objetivos!
- Nada de literatura edificante.
- Perfeitamente.
- Acho que eu estou meio birinights. Tim-tim!
- Saúde!
G.M.
Devaneios, alguma literatura e desabafos...
segunda-feira, dezembro 26, 2005
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4 comentários:
É bom pra chuchu, esse Auster, né, Belinha? Acho que é o caso clássico do autor que atingiu a maturidade, a excelência. Adorei que você está gostando. Tenho cagaço de indicar livros pra leitores exigentes. Bj.
Hum....Parece que o menino se afeiçoou mesmo a série Fragmentos. Bom isso, principalmente quando se tem acesso aos bastidores...
Logo, logo, faço mais um capítulo também...
Em Salvador existe uma bebida mui popular chamada "Birinight". Algo parecido com o Smirnoff Ice, mas nas versões groselha e anis. Uma verdadeira delícia... indispensável no carnaval. Saravá.
Ai, ai, ai... (estas são as minhas três palavrinhas de hoje!)
Um beijo,
Pra vocês!
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