Devaneios, alguma literatura e desabafos...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Singer


Não gosto de listas de 100 melhores. Ao menos não para livros. Prefiro relações menores, ainda estou em dúvida se de 30 ou 50. Entre os 30 certamente está Shosha, de Isaac Bashevis Singer, sobre o qual já escrevi por aqui, se bem me lembro. Hora dessas deixo uma resenha, quem sabe. Por hora, não.

Trechos extraídos ao acaso não mostram que um livro é bom ou ruim. Mas vejam como há trechinhos bacanas.

A história do mundo é feita da mesma massa dos bagels. Tem de ser fresca.

Abri a porta do meu quarto. Minha cama estava feita e intocada, a cortina fechada – restava um pouco de ontem exigindo ser vivido.

Um homem pode agüentar tortura de um inimigo, mas quando seu amigo se revela inimigo, a angústia vai além do tolerável.

Por que os poderes ocultos haveriam de ser menos caprichosos que os genitais?

Eu costumava pensar por que os condenados à cadeira elétrica se davam ao trabalho de escolher uma última refeição. (...) Me parece que a vida e a morte não têm nada em comum. Você pode resolver morrer amanhã, mas hoje você ainda quer comer por prazer e dormir em uma cama quente.

Em todos os romances que eu havia lido, os heróis desejavam apenas uma mulher, mas ali estava eu, desejando todo o gênero feminino.

Agora você pode me beijar. Nunca seremos totalmente estranhos.

Bebo café demais e fumo charutos demais. Como é possível uma pessoa nunca enjoar de tabaco e café? É um verdadeiro mistério.

Eu acreditava que o objetivo da literatura era impedir o tempo de desaparecer, mas o meu próprio tempo eu havia jogado fora.

Pessimismo é, na verdade, um traço masculino.

Sabia que estávamos nos separando para sempre. Talvez ela própria estivesse cheia de dúvidas. Mesmo os mais piedosos experimentam pensamentos heréticos de vez em quando.

Se Schopenhauer estiver certo – se a vontade cega é realmente a coisa em si, a essência de tudo - , por que não permitir que o desejoso deseje?

Ela quer a mesma coisa que todos nós – conseguir algum prazer antes de desaparecer para sempre.

G.M.

8 comentários:

Anônimo disse...

MUITA ALEGRIA PRA NÓS EM 2006 E POUCOS DAQUELES EVENTOS, HEHEHEHE...BEIJOS!!

Anônimo disse...

Há o trecho de um livro que pra mim é uma das grandes obras-primas da literatura mundial. Na verdade, é pouco mais que um trecho, aí vai ele:
"Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, então nossas vidas contrapõem-se a ele em toda a sua esplêndida leveza. Mas será o peso de fato deplorável, e esplêndida a leveza? O mais pesado dos fardos nos esmaga; sob seu peso, afundamos, somos pregados ao chão. E, no entanto, na poesia amorosa de todas as épocas, a mulher anseia por sucumbir ao peso do corpo do homem. O mais pesado dos fardos é, pois, simultaneamente, uma imagem da mais intensa plenitude da vida. Quanto mais pesado o fardo, mais nossas vidas se aproximam da terra, fazendo-se tanto mais reais e verdadeiras. Inversamente, a ausência absoluta de um fardo faz com que o homem se torne mais leve do que o ar, fá-lo alçar-se às alturas, abandonar a terra e sua existência terrena, tornando-o apenas parcialmente real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes. O que escolheremos então? O peso ou a leveza? Essa é a questão. Certo é apenas que a oposição leveza/peso é a mais misteriosa, a mais ambígua de todas".

Anônimo disse...

Belinha, a Ana está certa: normalmente quem dorme com Singer acaba repetindo; Dani: parabéns pela nova morada aguardo a festança, para a qual reservarei um bom cabernet; Sissi, belo trecho, hein?, depois me passe a dica completa. E, por último e não menos importante, Fasc W., que eventos são esses minha filha? Ah, se for coisa que provoque crise política e demissão, conte por e-mail. Mas conte, tá? Bj pra vocês. Voltem mais. Voltem sempre.

Anônimo disse...

Gus, como havia comentado, só de ler a contracapa havia adorado teu livro. Sobretudo aquela função Deus. Beijo.

Anônimo disse...

Mone! Se não me engano se trata de A insustentável leveza do ser..
Gus, saudades de ti e de te ler e te ouvir....
Sobre o post, vão aí as minhas preferidas:
Abri a porta do meu quarto. Minha cama estava feita e intocada, a cortina fechada – restava um pouco de ontem exigindo ser vivido.
e
Agora você pode me beijar. Nunca seremos totalmente estranhos.
Saudades de vcs, mas ainda não de Poa......
Beijos

Anônimo disse...

Tali, saudade de ti. Muito sol por Floripa?????
Keep in touch and send some news.
beijos em ti e na Ciba
Ah e sim, sim, trata-se de Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.

Anônimo disse...

Também estou com saudades, Tali. Quase morrendo. Tão morrendo que estou pensando em te trocar antes que morra mesmo... É questão de sobrevivência, sabe cumé? Rarrarra! Sissi, é bom mesmo esse Kundera, né? Venho fazendo uma listinha e ele está lá.

Anônimo disse...

Saudades de vocês também! Sobre a possibilidade de troca, Gus, impossível, tu ainda não de deu conta que eu sou insubstituível, menino?

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