
Ontem minha querida amiga Tali se confrontou com algo que já sabia existir mas que, felizmente, não vê de modo tão explícito e exuberante em seu cotidiano. Ouvi o relato, solidário com seu sofrimento. Talvez eu pareça menos impressionável, mas é só aparência. Sofri ao escutá-la narrar as cenas que eu já vi tantas, tão de perto, com cheiro e tudo. Um amigo diz que o confronto com a miséria em estado natural é como ver sangue num corte acidental: sabemos que ele está ali, dentro de nós, abundante, mas sempre ficamos assustados quando ele se arrisca, enfrenta nosso senso estético e sai para o lado de fora da pele.
Minha quase década acompanhando política proporcionou incontáveis confrontos como o de ontem, da Tali. Em cada campanha eleitoral, são muitos os focos de desumanidade que a gente conhece. E entre uma campanha e outra às vezes é até pior. E não lembro de, nesse tempo todo, ter feito alguma coisa para ajudar, substancialmente falando. Também nem sei se isso seria possível. Talvez também eu, apesar de chocado, tenha tirado meu bife desse sofrimento. Mas isso é uma impressão. A certeza: a justiça é o mais abstrado dos conceitos.
G.M.
7 comentários:
A gente vê tudo isso de perto por um lado, e por outro, uma maioria de gestores eleita para administrar sem nunca ter tido experiência para lidar com as carências humanas. Não me refiro só ao Lula, mas a todos mesmo: ao Fogaça, que era professor de cursinho; ao Rigotto, um dentista ocasional. A política tem que mudar. De estilo, de forma, de conceito.
Gus,
Thanks pelos consolos, que já foram muitos, e pela compreensão incondicional de sempre...Love U
É isso aí, gurias. E, T, você é suspeita, mas mesmo assim muito obrigado, viu? Bjs.
Ah, se esqueci-me. Apesar de ter voltado há pouco, estou doido por umas novas férias. Por enquanto, aqui na bodega fica tudo com a Tali, a quem estou tentando vender minhas ações neste empreendimento. Estou querendo passar de sócio a funcionário eventual. Aquele abraço.
sabe o que mais me indigna? o fato de que nós somos tão acomodados e egoístas quanto os representantes que escolhemos para administrar o que é público... quando participei da última campanha à prefeitura de porto alegre, e subia e descia morros para buscar depoimentos e conhecer as necessidades destas pessoas(que são simplesmente básicas e inexistentes), tinha a certeza de que meu papel ali estava totalmente equivocado... me senti suja e terrivelmente mesquinha por estar ali apenas usando o sofrimento alheio para angariar votos a uma pessoa que, por mais que estivesse me pagando, não assistiria a "quem mais precisa" após ser eleita... pior... a nossa presença nestes locais ainda alimentava as esperanças de que talvez, com o senhor candidato fulano de tal, as coisas mudariam para melhor... jurei para mim mesma que após as eleições me engajaria a uma causa social... cheguei a idealizar um projeto que apresentaria ao então novo senhor prefeito... mas me decepciono comigo mesma ao ver que, passados quase dois anos, nada fiz para transformar um pouco a realidade destas pessoas... assim como eu, conheço um milhão e as justificativas para começar a se mexer são sempre as mesmas: falta de tempo, de recursos e de apoio...
sorry, meu lindos, por abusar do espaço de vcs com as minhas caraminholas internas... mãs não me conformo com o estado letárgico de quem é sensível à miséria... isto é uma autocrítica... não se sintam ofendidos...
beijo
Gata garota, te ligo mais tarde pra combinarmos a função. Bela, concordo contigo. Ciba, a minha sensação é a mesma. E pode usar e abusar do trespalavrinhas, tá?
tá...
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