Mais um texto que compartilhamos entre nós e, agora, com vocês. Este, em duas partes. Um negócio misterioso para o qual, aliás, aceitamos palpites e sugestõe em geral. Mudando de assunto: o que será que o Paulo Francis estaria dizendo sobre o cenário de caos instaurado nacionalmente? Lembramos que pouco antes de morrer, em 1997, ele disse que se alguma fatalidade fizesse com que Lula um dia chegasse à presidência da República, ele, Francis, jamais voltaria ao Brasil. Foi o nosso devaneio de hoje. Acompanhado de cigarro na sacada da redação.
Nove mensagens - Parte I
Abriu os olhos, usando todas as forças que lhe restavam, e descobriu que sua cabeça se transformara numa parte independente do corpo. Latejante. O sol entrava por uma fresta na janela e, mais tímido, por debaixo da porta, indicando que há muito perdera a hora de acordar. Sobre o criado-mudo, na secretária eletrônica, o número oito piscava em vermelho. Espreguiço-se dolorosamente e, ao escutar o ruído das molas do colchão, percebeu também outros sons que marcavam sua volta ao mundo dos vivos: da rua vinham buzinas distantes, os guinchos metálicos dos balanços da pracinha, mais próximos, o ar condicionado do vizinho de cima, o rádio que ela mesma esquecera ligado na sala. E perto, bem mais perto, chuveiro. Meu próprio chuveiro está ligado e eu não estou no banheiro, ela pensou. Preparava-se para ir até lá, quando o telefone tocou. Na dúvida, resolveu conferir o mistério do chuveiro. Escancarou a porta, que estava entreaberta, a fumaça impedia a visão perfeita da situação. Nublou. Sentiu sob os pés o gelado dos azulejos amarelos que cobriam o chão do banheiro antigo. O coração acelerou. Que merda eu fiz ontem? Tentou lembrar. Nada. No quarto, o número nove piscava na secretária eletrônica. Melhor ouvir. 1)Oi, Val, é a Lu. Agora são duas e quinze da manhã. Fiquei preocupada porque não gostei nada-nada daquele cara. 2)Valquíria, é o Tom. Eu sei que é tarde, mas me liga. Nosso assunto não acabou. 3)Val, é a Lu de novo. Olha, eu tirei a ficha desse cara e ele nem é daqui. Não deixa esse tarado te levar pra lugar nenhum. 4)E aí, tudo bem? Só pra lembrar que a gente vai almoçar na sexta. Beijo da mulher mais linda de Porto Alegre. 5)Val, pelo amor de Deus! São cinco da manhã! Onde é que você está, mulher?. 6)Valquíria, é o Tom, mais uma vez. Como são quase sete da manhã e você ainda não chegou, acho que talvez nosso assunto tenha terminado mesmo. Tchau.7)Alô? Quem é?. 8)Dona Valquíria? É o Lemes, da oficina. Era furo no radiador mesmo. Vai custar R$ 380,00, incluindo a mão-de-obra que o pessoal vai me cobrar. 9)Valquíria: sai correndo daí e compra um jornal! Esse filho da puta que te levou pra cama é um baita mafioso! Me liga.
Devaneios, alguma literatura e desabafos...
sexta-feira, julho 15, 2005
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2 comentários:
Uau, recados enlouquecidos...
É isso que dá um texto a quatro mãos Juki. Falando nisso, o nosso tá rolando tbm. Te mando daqui a pouco...
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