Devaneios, alguma literatura e desabafos...

sexta-feira, novembro 25, 2005

Flashes

Banheira. E eu não estava sozinha, não. Tem uma foto linda que eternizou esse momento. Acho que é por isso que eu lembro. As duas vezes em que entrei no silo do meu pai. Me arrependi em ambas, mas foi divertido. Caloi Cross, só de short, com uma cambada de guris, pedalando quilômetros. Barco adernando e eu molhando os pés na água que entrava nele. Me invadia também. Piscina de plástico com todos os primos dentro. Piscina de plástico com uma lona em cima. Eu e a Shanti, num mundinho particular, falando sobre não sei o quê. O eterno salvamento dos passarinhos que caiam do telhado da minha casa e o sofrimento da hora em que eles ficavam bons e voavam, me deixando. Ônibus interceptado no meio da estrada. O Vinícius, meu colega, que era apaixonado por mim e vivia passando a mão nos meus cabelos. Tinha o André, que também fazia isso. Eu odiava. Mas amava (?) o Dudu e os olhos azul piscina dele. A chegada do meu irmão no primeiro dia em casa. A minha irmã com uma alergia fudida, toda roxa. Machucados nos joelhos. Sempre. Rancho no Makro. Reunião dançante. Carão (é assim?). Minha casa de boneca. A espiada no necrotério pelo muro. Acompanhar a evolução de um girino até ele virar sapo. Nunca passei das patinhas, óbvio! O colo da minha mãe que fez passar a dor no meu ouvido. Meu pai fingindo que me dava uma palmada pra eu escapar da ira materna, não me lembro pq. Trator e mosquito na colheita. O ferro de passar em cima da cama que me deixou uma cicatriz na coxa direita. O sótão. Subir no telhado e comer salsicha crua. Os milhares de cachorros e o gato e a capivara e o ratão do banhado e a tartaruga e os ramsters que eu tive.
...

Assim são as lembranças da minha infância. Em flashes. Ao contrário do Gus, que lembra de tudo, com detalhes, e desde que ele tinha apenas meses. Acho que prefiro apenas fragmentos e esse mosaico que se forma na minha cabeça. Não sei se bloqueio. Pode ser. Sempre que fico nervosa, esqueço. Nem o primeiro beijo ficou, apesar de saber que foi bom. No más, água e água e água e...vigilia! Hoje abro uma exceção pra te acompanhar na cerveja.

3 comentários:

Anônimo disse...

Coisa boa tudo isso. Tem cada uma que só criança pra fazer... Salsicha crua, tali? Gosto de quê?
Alguém de vcs lembra da dor chata do dente recém arrancado? Eu tenho cada lembrança da infância, cruzes! Hoje, quando minhas sobrinhas perguntam algo, até gosto de remédio, eu lembro. e tenho que consolá-las. "Tia Mone, perder o dente dói? E quando ele tá nascendo?" "Quase pior, meninas. Mas aguentem". E assim a gente toca a vida. É bom lembrar.

Anônimo disse...

Tali, isto parece uma explosão. Sentimental, cinematográfico, caleidoscópico. Muito bom. Mesmo. Bj.

Anônimo disse...

Tali, post I-N-C-R-Í-V-E-L, como tu curte dizer! É bom lembrar... as coisas mais estranhas, bizarras (e as mais legais tmb) da nossa vida se passam naquela épocazinha em que éramos miúdos. Tá lindo assim. Fiquei curiosa com quem é a cerveja, pois já vi que comigo não vai ser, hahahaha! Pena, a festa promete...

Mone: bah, a função dente... eu odiava também. Um horror. Saudades de ti.

Bjs

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