Devaneios, alguma literatura e desabafos...

segunda-feira, novembro 21, 2005

O fantástico reino dos ministros do Supremo

Ontem eu fazia contas e descobri que não sou contribuinte, sou uma vítima. Não contribuo, sou assaltado sistematicamente pelo Estado.

Além dos impostos exorbitantes, a precariedade da segurança, da saúde, da educação e da Justiça impõem casos mais ou menos explícitos de bitributação: plano de saúde, universidade privada (se eu quiser avançar nos estudos), parquímetro, medicamentos, pedágios, seguros.

Tentei otimizar a situação e decidi que vivemos num reino. Não sou contribuinte nem vítima, mas súdito. Não adiantou muito.

Pensei nos ministros do Supremo Tribunal Federal. Aqueles homens abnegados que chegam a trabalhar duas suadas vezes por semana. Só de imposto de renda, pago mensalmente o equivalente a 1% do salário de um ministro. Minhas amigas Tali Oppitz e Simone Iglesias bancam mais 1%, cada uma das meninas. Daí a grandiosidade do nosso país, digo, do nosso reino. Já que é preciso, por essa lógica, uma rede de 300 Gustavos, Talis e Simones para custear a justa remuneração de um único ministro. E são tantos... a proporção é de 300 x 1.

Em março, quando chegar o acerto de contas com a Receita Federal, eu provavelmente precisarei somar ao salário mínimo mensal que entrego ao Leão mais dois ou três. Isto porque, ao contrário dos ministros do Supremo, sou um capitalista insaciável e tenho dois empregos, que me tomam pouco mais da metade da vida. A outra metade gasto com sono, alimentação, sexo, banho, deslocamento, escovação de dentes, leitura, telefonemas e lazer, não necessariamente nesta ordem. Impressionante como valho pouco, já que metade do meu tempo por esta Terra de Deus paga não mais que 1% da remuneração de um mísero ministro do Supremo.

Talvez daqui a algum tempo, quando eu estiver em outra posição social, possa custear 5%, sabe-se lá se não atinjo os 10%. Se meus amigos progredirem na mesma ordem, logo poderemos custear um ministro com o trabalho de apenas dez de nós, e não mais 300.

Não é um bom projeto de vida?

PS: estamos falando de imposto de renda. Há todos os outros, que a gente encontra no Zaffari ou no posto de gasolina... pra ficarmos em mais dois casos.


G.M.

4 comentários:

Anônimo disse...

Excelente idéia. Nunca na minha vida fui tão feliz por pagar impostos e sustentar essa primordial elite trabalhadora do Brasil. Opa! Esquecemo-nos que eles têm 2 meses de férias! Não é fantástico? Quanta honra...

Anônimo disse...

Pois é, Juky. Vez por outra tenho um ataque ao parceber como o cidadão comum ganha pouco, em relação a essa nobre casta que ele mesmo sustenta sem opção de contestar.
Tnk pela visita.

Anônimo disse...

Excelente essa tua lógica....realmente Gus,estamos fadados a ser súditos mesmo, pelo visto, esse país não tem mais jeito não acham????? ou alguémvai ser bobo de largar essa mamata toda aí......e querer ser como nós, simples mortais???? Beijos

Anônimo disse...

Olha a Bibi aqui, que amor...

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