Devaneios, alguma literatura e desabafos...

quarta-feira, novembro 16, 2005

Para uma avenca partindo
do livro O Ovo Apunhalado, de Caio Fernando Abreu...

"Eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou de tardes, ou de manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor, não é? pois isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando numa porção de coisas que eu ia te dizer depois, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis que precisam ser ditas, não faça essa cara de espanto, elas são realmente terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, se você teria, não sei, disponibilidade suficiente para ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar é só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"

Por ser do Caio, dispensa as minhas palavras. Eu sinto, e só....

8 comentários:

Anônimo disse...

Achei que estava demorando, pra acertar meu comentário com o texto do Caio, a aparição da tua cegueira. Pelo jeito agora ela veio. Aproveita pra ver outras pessoas...

Anônimo disse...

Tali, acho este meu rival um chato.

Anônimo disse...

Olha, Tali... apesar da profundidade desses dois pretendentes, sou mais eu. Mesmo que eu às veses cometa ums erros de hortografia, também acho o Caio Fernando Abreu um excelente pianista.

Anônimo disse...

E Picasso, não é um ótimo pensador? Mas a propósito, um recado para sempre aqui, nem sempre aqui e às vezes aqui. Mesmo um sendo profundo, o outro escrevendo um português completamente errado e outro de saco cheio com a concorrência achando os adversários uns chatos, a Tali precisa de alguém que tenha nome e, sobretudo, de alguém que não faça como trecho do livro do Caio, de transformar o que ela não é numa projeção do que se quer.

Anônimo disse...

Achei q o trecho fosse do Gus.
Mais aí ele teria assinado né?
Burro eu, cruzes.

Anônimo disse...

Gata Garota e Gus, gostaria muito de poder acessar mais o blog incrível de vocês. Mas é que tirando os velhos e bons amigos de sempre, às vezes aparece cada um que vou te contar, hein? E não estou fazendo referência aos anônimos, não! Mas, enfim, tirando aqueles que não são finos, elegantes e sinceros (que são sempre a minoria), de resto o blog é sempre incrível e os textos idem.

Beijos 1000
Gata Garota

Anônimo disse...

internamente acredito que todos saibam que amam o que não existe... e se existe, não é como imaginamos e idealizamos... o fantástico é que o caio consegue organizar o pensamento... cuida de ti, linda... beijo

Anônimo disse...

Respondendo então, aos identificados: Max, não liga que isso aqui tá mesmo uma suruba. Aparece sempre, tá? Karina, que bom que tu gosta, vem sempre. E ao único anônimo que sei quem é, thanks pelas palavras (todas) e pelo cuidado...beijo em ti.

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