QUASE DORMIA quando um barulho da rua o pôs em vigilha. Assaltaram-lhe das conversas do dia. Vinham em torrentes trechos de diálogos dos quais participara como protagonista ou mero observador discreto dos assuntos alheios. Só percebia pedaços. Ouvia uma a uma aquelas lascas de sentenças que se sobrepunham e se sentia como alguém a atravessar com muita pressa um pavilhão gigantesco, repleto por uma multidão de birutas que tentavam contar-lhe alguma coisa. Via-lhes os olhos arregalados e os maus dentes, em alguns, e os rostos e corpos desejáveis e familiares, em outros. Essas pessoas deviam estar falando ali havia muito tempo, mas tudo que ele podia compreender era o que verbalizavam no momento preciso de sua fugaz passagem por elas.
Ela é uma pessoa paradigmática. O segredo, disse o Sartre nessa entrevista à Playboy, é paridade intelectual. Com mais duas canecas de café sem. E aumentou o iíndice a ponto de assustar o pessoal da Bolsa de Tó. Mio e dois para o Internacional. A mãe dela era inglesa. Gou a saída do ministro mais forte do governo. Sessão de autógrafos está prevista para as quatro da tar. De doces como sagu ou pudim de lei. De conhecer um nanomilímetro do. Se não chover, ele quer ficar na praia até quar.
O suor o encharcava quando terminou de cruzar aquele emaranhado humano que bloqueava seu caminho até o sono. Dormiu sedado pelo esgotamento de um maratonista.
G.M.
Devaneios, alguma literatura e desabafos...
domingo, novembro 13, 2005
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2 comentários:
Preciso o teu texto, Gus. É assim que tenho me sentido ultimamente, mas acordada e sem nenhum resquício do sono. Não é sonho e não sei se é bom. De qualquer forma, como disse o Sartre, o segredo é a paridade. E quando ela acontece, aprisiona. Fica lá, a espreita, o tempo todo.
Sabia sim, Belinha. Li uma entrevista em que ele se dizia "arrependido" pela negativa. Contou que não quis o Nobel pra não ficar conhecido como autor que o recebeu e acabou reconhecido como o escritor que não quis o prêmio. Bj pra ti.
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