Devaneios, alguma literatura e desabafos...

segunda-feira, novembro 14, 2005


SEM MUITO entusiasmo, por enquanto, começo a ler O ninho da serpente, do cubano Pedro Juan Gutiérrez. É bem parecido com tudo que já li dele: Animal tropical, Trilogia suja de Havana e O rei de Havana: sarcasmo, análise política supervelada, fodelanças olímpicas, escatologia. Não só pela putaria, mas pela prosa em torrentes de verbo mal passado, há uns temperos de Bukowski (de quem há uma epígrafe nas primeiras páginas) e Miller. Tudo lembra os outros livros. Mas, como diz meu amigo Fernando O'Donnell, um grande autor conta sempre a mesma história. O que não quer dizer, claro, que todo autor que conta sempre a mesma história seja grande. Digo mais adiante o que acho de Gutiérrez. Adianto que, no mínimo, é um autor muito interessante, mesmo que não se goste das histórias que conta.

RECEBO e-mail da minha amiga Bela Figueiredo. Ela encerra a cartinha com uma citação de Goethe, que eu não conhecia, adorei e, acho que ela não se importa, compartilho agora com os leitores de Trespalavrinhas: "sigo sempre sendo a mesma pessoa mas creio ter mudado até os ossos". É bom esse criador de Fausto, né?

G.M.

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