Cheguei cedo. Não havia ninguém naquele lugar já naturalmente silencioso. Com 20 minutos livres, decidi procurar meu avô. Não consegui sozinho. Fui ao guichê da administração. Pura curiosidade.
“É aqui, oh”, disse-me o funcionário, alcançando-me o papelzinho parecido com um canhoto de lavanderia onde estava escrito “Quadra 7, nº 902”.
Andei por ali sob um céu cinzento de nuvens opressivas. A tarde abafada ameaçava com a chuva que não veio. Andei, andei, andei. Vendo aquelas caras antigas nas fotografias ovais, datas de chegada e partida, declarações de amor eterno, salmos, despedidas, minha cabeça de contador de histórias começou a funcionar involuntariamente e acabei me distraindo. Recontei a mim mesmo algumas daquelas trajetórias que terminavam ali e, nesse trabalho, perdi-me completamente. Merda! Comecei a procurar de novo. Só que os números pulavam sem a menor ordem. Passei pelo 986, 917, 911 e depois começava a subir. Comecei de novo, do princípio. Depois tentei avançar por outro flanco. O número se aproximava mas não chegava nunca. Desisti depois de traçar duas possibilidades: ou meu avô não morreu, ou nunca existiu.
G.M.
Devaneios, alguma literatura e desabafos...
sexta-feira, dezembro 02, 2005
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5 comentários:
Amei! Mas sou suspeita, tu sabe! Adoro conhecer os cemitérios das cidades que eu visito! O de Cotiporã, por exemplo, é lindo! Em várias lápides, muito antigas, não são fotos, mas pinturas dos falecidos...
Oh Tali,
Bom te ver sabia?!
Um beijo e aproveita o findi porque ele promote...hihihi!
Beijoca,
Pree!
Também adorei te ver! Temos que combinar mais vezes!
Beijo
Não tenho gostado muito de ir a cemitérios nos últimos tempos. Fui a três velórios muito seguidos um do outro. Energia negra demais. Já fui fã. Virei metrôs e ruas desconhecidas para conhecer o Père Lachaise, de Chopin, Jim Morrison e Edit Piaf. Nada demais.
Bons amigos e amigas,
Obrigado pelos comentários sempre generosos. E, Dani, esse seu episódio das trocas das plaquinhas só tornou esse meu périplo mais divertido. Abç,
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