Devaneios, alguma literatura e desabafos...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O chamado que nos une ao imperador


A marcha dos pingüins (La Marche de L’empereur, França, 2005), de Luc Jacquet, é um estouro internacional que, no exterior, começou seu périplo modestamente, em quatro salas norte-americanas e, depois, chegou a arrecadar mais do que Batman Begins. No Brasil, as cópias legendadas levam o áudio da versão original em que os atores Charles Berling e Romane Bohringer dão voz ao “principal” casal. Na versão em inglês, que graças a Deus não conheço, o ator Morgan Freeman faz o off da história. Nada disso, porém, em especial me interessa.

No escuro do cinema, encantou-me, mais que qualquer fenômeno midiático, a assustadora semelhança desses aristocratas do mundo ártico com os humanos. Não só nos trajes, não só fisicamente.

O filme supera qualquer expectativa de criatividade que se possa empregar no gênero documentário, que para o grande público, via de regra, costuma ser uma chatice de levar às lágrimas. O tema - pano de fundo à jornada eterna dos pingüins imperadores na deliciosa e atormentada tarefa de reproduzir para perpetuar - é o convite a uma reflexão filosófica sobre a sobrevivência.

Não deixa de haver uma espécie de hominização da vida dos simpáticos bichos. Seus pensamentos são supostamente revelados pelas vozes dos atores e suas apreensões e questionamentos são mais ou menos os nossos.

Vendo aquele grupo de criaturas graciosas, vestidas nos seus fraques de inverno, andando com a ginga desajeitada dos músicos de jazz de Nova York dos anos 40, levando adiante seus barrigões e bundas grandes, concluí que nossa vida não é muito diferente da deles.

O vai-e-vem do mar para a proteção dos muros de gelo, tão penosa, não é muito distante das nossas idas e vindas de casa para o trabalho, da creche para o pediatra, do dentista para a lavanderia, do barbeiro para a musculação, da universidade para o restaurante, do primeiro emprego para o segundo. Não fica longe do sacrifício que fazem pais e mães para criar seus filhos, imolando-se de boa vontade para criar sucessores melhores, mais ricos e fortes, como se toda essa abnegação fosse um incógnito, simples e irrevogável chamado da natureza. E será que, como os imperadores, também nós, numa mistura de resignação, virtude bruta e perseverança, não nos submetemos a esse comando... cósmico? Há um quê de sincronicidade entre nós e os imperadores. Assim como deverá haver entre nós e o resto.

Fiquei pensando que o misticismo e as religiões talvez não passem de sofisticações ou romantismos que só os humanos têm, um jeito de iludir, de imaginar que não nos mobilizamos por esse mesmo chamado. Não estaríamos submetidos às mesmas ordens que dão sentido à vida do imperador?

Imaginei... se nossa quase inquebrantável capacidade de sobreviver na crueldade da selvageria contemporânea - tão difícil para nós quanto são aos pingüins as tempestades - não vem justamente daí, desse ordenamento que nos jorra das entranhas, que vemos refletido no horizonte e nos edifícios e rostos dos transeuntes e vozes das pessoas que nos cercam e nas refeições que fazemos e no dinheiro que buscamos, tudo isso nos ordenando, naturalmente, de fora e de dentro: viva, resista e perpetue. É uma ordem!

G.M.

12 comentários:

Anônimo disse...

Gustavo
Acho que vou ver o filme. Já que somos tão parecidos com os pinguins, quero ver se encontro outras semelhanças... Abraço

Anônimo disse...

É verdade Cris, assisitndo ao filme ontem fiquei tão apaixonada pelos pinguins que não me dei conta disso...
Bjokas
**beijim Tt

Anônimo disse...

Bá! Perdi de ver ontem. O Gui foi, mas eu fiquei presa no jornal. Ele me deu um briefing super animado, inclusive com o fato de que os pinguins machos chocam os ovos dos filhotes!!!!! Isso que é evolução da espécie. Um dia, a nossa chega lá. Já imaginaram os meninos de barrigão de fora, enjoando, vomitando às tampas, com peitos e pés inchados?!

Anônimo disse...

Bá! Perdi de ver ontem. O Gui foi, mas eu fiquei presa no jornal. Ele me deu um briefing super animado, inclusive com o fato de que os pinguins machos chocam os ovos dos filhotes!!!!! Isso que é evolução da espécie. Um dia, a nossa chega lá. Já imaginaram os meninos de barrigão de fora, enjoando, vomitando às tampas, com peitos e pés inchados?!

Vica disse...

Fiquei com vontade de ver esse filme. Adorei teu post.

Anônimo disse...

Cris, vá que é legal e eles não são parecidos, são iguaisinhos. Mas vá com o espírito para cocumentário, sacou? Karina (TdT), acho que o cinema inteiro se apaixonou pelos bichos tão simpáticos, né? Sissi, acho que os machos do grupo cuidam mais dos filhotes que as mães, mesmo. Em compensação, tem umas oito pingüinhas pra cada bonitão e a disputa se dá, literalmente, aos tapas. Mas ah...! Vica, veja o filme que você não se arrepende e obrigado pela visitinha. Volte sempre.

Anônimo disse...

É vedade tt, e ah! não é dificil de se apaixonar pelos "bichinhos" se é que me entende(hehehe)
Beijm pq "vai fecharrrrr"

tt

Anônimo disse...

Sobre a nossa dúvida no café:
O PINGUIM É UMA AVE MARINHA. Olha só:
O pinguim imperador pode estar cerca de vinte minutos sem respirar. É uma ave marinha, excelente nadadora, porém não voa. Chega a nadar com uma velocidade de até 40 km/h e passa a maior parte do tempo na água.

pinguinhas. Adorei!!!!!

Anônimo disse...

Pode estar??? Copiei e colei direto. Textinho de atendente de tele-marketing, ú.

Anônimo disse...

Adorei também, Sissi. Vou estar incluindo mo meu repertório essa informação que você está me repassando. Bj,

Anônimo disse...

Ah, mais um lapso. Atendente, não! OPERADORA, pra não ofender a catigoria...

Anônimo disse...

Atualizem!!!! Quero ver aqui as fotos de Tapes. Claro que pra rolar uma pressão pró-nova ida desta vez comigo e o gui inclusos na trupe, okey?!

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