Devaneios, alguma literatura e desabafos...

quinta-feira, junho 09, 2005

Chega ao final, hoje, a história de Lola. Logo estaremos publicando uma segunda série, mais ou menos interligada. Acompanhem. Comentem.

Esse foi o texto que o Gus me mandou quando eu pedi pra ele escrever algo pra publicar antes do último capítulo da estória da Lola. Ou o menino tá sem inpiração, ou a labuta tá consumindo...Acredito na segunda alternativa. Ô Gus! hoje é quinta! Pensa nas possibilidades...

"Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles sempre dobrarão por ti". Lembrei disso Gus, e da beleza.

5 - A campainha vai tocar às 17h (epílogo)

Gás quase acabando e a entrega não chegava. Lola acendeu a luz do forno e observou a chama amarelada, já fraquejando. Um filete de suor lhe escorreu pela nuca. No relógio de pulso, os bracinhos do Pateta marcavam 16h46min. Sua mãe chegaria às 17h. Por que não viera outro dia? Temia pelo bolo e pelo encontro com a mãe que reclamaria do tempo, do trânsito, da grosseria dos homens, da pensão minguada, da greve no metrô, do horário eleitoral, e depois passaria a comentar as unhas de Lola, a magreza da filha, a falta de namorados, o chão mal-encerado. E o bolo... Está abatumado, ela diria, como se mastigasse cacos de vidro. Mas não tem importância. Sem ostentar crítica, até mesmo condescendente, benevolente naquela sua maneira de manter a ponta da língua parcialmente escondida atrás dos incisivos superiores pouco tempo mais que o normal quando pronunciava os sons da família do “s”. No fundo, queria mostrar em sua grandiosidade que Lola não tinha culpa tanto pela magreza quanto pela greve ou pelo horário eleitoral. Agachada frente ao fogão, Lola assistia a essas cenas como se a janelinha do forno fosse uma tela de TV. Mudou de canal. Lá estava o malvado, debochado. O bolo abatumado, sem a menor preocupação, apenas se aquecia ao calor tépido de uma estufa de orquídeas. Nos bracinhos, 16h52min. Onde já se viu, minha filha, esperar que o gás falhe para pedir outro... Com os amigos era a mesma coisa. Se lembrasse de mantê-los num ciclo sempre azeitado e programado e bem-organizado, jamais sentiria solidão. 16h54min. Com os namorados, idem. O peito de Lola doía de ansiedade. Pensou em algo que a salvasse. Sua mãe poderia estar sendo assaltada. Nada grave, sem violência, mas lhe tomariam a bolsa e ela ficaria abaladíssima e sem dinheiro para a condução e cancelaria a visita à filha. O namorado do verão podia estar digitando seu número naquele instante. O rapaz da loja de secos e molhados... tão esquisito. Ah, sim. Isso seria melhor. A melhor cena de todas. Sim, era isso que estava acontecendo... O rapaz passava em frente ao prédio de Lola e encontrou o homem do gás enfiando o dedão no interfone. Deixe que eu entrego, falou ao rapaz. O homem achou uma maravilha, nem se preocupou com o pagamento, livrou-se das escadas e embarcou no caminhão. 16h59min. Quando o rapaz chegasse com o gás, ela estaria pondo na água de um vaso improvisado as flores que ele lhe dera mais cedo e, enquanto ele trocasse o gás com habilidade e rapidez, ela contaria que sua mãe fora assaltada e que eles comeriam bolo e beberiam chá sozinhos, apenas os dois. Ele ficaria feliz por essa solidão compartilhada e lhe tomaria a cintura e lhe beijaria as pálpebras e depois os lábios que já estariam entreabertos. A campainha tocou às 17h.

14 comentários:

Pree disse...

ótimo como sempre...o próximo texto podia ser aquela maravilha denominado Espelho Turco né?!
Tá dada a dica!
bjo!

Samantha Carvalho disse...

Taline, quero ver as tuas esquinas. As vivas, as íntimas... no papel.

Anônimo disse...

Gús, desculpa a falta de comentários....não foi proposital.
Agora é evidente a admiração que Lola causa nas pessoas. Lindo ver Lola viajando, todos (ou quase) somos assim com esses sonhos e devaneios de coiss lindas e maravilhosas que poderiam vir a acontecer, a verdade é que na maioria das vezes não acontecem...mas vamos aguardar o próximo capitulo,ansiosos claro!!
Um dia tri bom pra vocês, dé

Anônimo disse...

Esse texto ao que tu te refere Samantha, mando pro teu mail qualquer hora. Vetado no blog.

Anônimo disse...

Valeu, Dé. Vamos fazer um intervalo, hoje, publicando daqui a pouco o conto de um bom autor chamado Caco Belmonte. Em seguida, irá ao ar nova série, mais ou menos ligada à história de Lola. Continue conosco. Falou?

Anônimo disse...

Como assim? Não saberemos nunca quem tocou a campainha??? Ah não... fica aqui meu protesto. Queremos mais Lola! Nem que seja depois da próxima estória...

Anônimo disse...

Pois é, Juki. Você terá que esperar alguns episódios que virão a partir de segunda-feira, eu acho. Adianto aqui: a personagem feminina desta próxima etapa chama-se Sophia. De certo modo, é bem diferente de Lola, que deverá voltar, sim. Mas mais adiante. Por hora, dê uma chance para Sophia.

Anônimo disse...

Eu te conto quem tocou a campainha Juki!

Anônimo disse...

Quem tocou a campainha foi a mãe da Lola.

Anônimo disse...

O fim é sensacional Gus. Parabéns!!!
Reverter o processo foi ótimo....

Anônimo disse...

Ah tá, vão estragar a brincadeira?

Anônimo disse...

Taline possui um lado lindo da sua balança duvidosa, intermitante, não concluído. No momento que ela pender de vez para ele, o lado mais belo, as coisas vão começar a acontecer...

Anônimo disse...

Branquinha?

Anônimo disse...

ZORA IONARA!!!!!???????

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