
Há dias em que a gente quer encerrar o expediente assistindo a um bom filminho em casa. Chega na locadora de DVDs, quase fechando, e não encontra nada de novo. Tenta a prateleira dos clássicos, nada também. Passa pelos dramas europeus e outras vertentes de filmes de arte mas resta pouca memória livre no cérebro, a gente não está muito a fim de quase nada. Mas também não quer apelar às comédias feitas pra rir às gargalhadas altas, tipo as universitárias ou as de pastelão contemporâneo (ambas, aliás, pessoalmente acho impensáveis). Então, surgem os salvadores. Os que chamo filmes “médios, despretensiosos e bacanas”. Se um dia eu tiver uma locadora de DVDs, vou fazer uma prateleira com essa classificação de filmes invariavelmente honestos, no mínimo.
Foi o que aconteceu comigo ontem à noite, depois que deixei o jornal. Por algum movito, tive vontade de assistir a alguma coisa com o impagável Bill Murray, ator excepcional que fez toneladas de filmes muito ruins, é bem verdade, até ser ressuscitado, recentemente, pela filha do Copolla em Encontros e Desencontros. Acabei com uma cópia de Groundhog Day nas mãos. E garanto: é um barato. Um discreto clássico dos anos 80 infelizmente realizado em 1993, que não fez grande sucesso comercial porque, não sendo filme de culto, também não tem sexo nem política nem violência. É, repito, um exemplar da série “médios, despretensiosos e bacanas”.
O filme fala sobre a sensação de déjà vu, e daí em diante cada um que entenda o que quiser. É a história de um repórter de TV, na verdade um “homem do tempo” que, contrariado, vai a uma pequena cidade do Interior fazer um pauta que é obrigado a repetir anualmente. Por algum fator fantástico, ele é condenado a repetir aquele dia por toda a eternidade. Dá pra entender pelo lado mágico, pela fábula, pela comédia em si, pela questão mitológica da repetição como penalidade divina. Eu, pessoalmente, percebi que o personagem aproveitou esse incessante começar de novo para aperfeiçoar sua performance como ser humano e se tornar uma pessoa melhor, mais generosa, menos maniática e egocêntrica. Dei excelentes risadas. Inclusive nas suas tentativas de suicídio, como na foto lá em cima. De grátis, a gente também pode ver a bela Andie MacDowell na sua melhor forma, exceto pelos assustadores penteados da época, os piores da história feminina.
Na Espaço e Vídeo tem. É uma boa.
G.M.
9 comentários:
Pois eu tive o maior azar... Ontem, assisti Be Cool, com a Uma Thurman e John Travolta. Verdadeira bosta. E alguém tinha me dito que tinha referências bacanas a Pulp Fiction. Se lembrar quem foi esse alguém, eu mato! Pelo menos no sábado tive o prazer de ver Hotel Ruanda. Imperdível. E passei a defender que nossas tropas fiquem no Haiti. Assistam e depois opinem.
Beijocas
Munique é obra-prima.
Pois é, Belinha. A chamada desse filme assistindo a um outro. Achei tão clichê, embora saiba que as chamadas não dizem muita coisa, que passei ele láááá pra trás da fila. Teu comentário fez com que ele se recuperasse um pouco e acho que uma hora vou acabar vendo. Mas não será no cinema. Primeiro quero assistir ao Munique e ao Match Ponit. Bj,
PS: A Tali me lembra que o nome correto da locadora é "Espaço Vídeo", e não "Espaço e Vídeo". Faz sentido porque eles não alugam espapo, só vídeo. Mas também vendem pastel, o que é um negócio bizarro, eu acho.
Sissi, Hotel Ruanda está nos meus planos de hoje à noite. E depois de ver, comento contigo, tá? Bj,
Ah, Sissi, pra constar nos autos: não foi eu que elogiei o Be Cool, tá? Embora já tenha caído nessa também...
Dani, vou seguir a dica, então. Primeiro um, depois o outro. Grato pela dica. E, claro, também sou partidário de não dar muita atenção à pauta determiada pelas empresas de distribuição. Nâo que se deva evitar os oscarizados, claro, até pelo contrário. Mas uma passadinha com calma pela locadora, se a gente estiver desarmado, pode render boas surpresas. Sobretudo nesse meu querido setor de "Médios, despretensiosos e bacanas", que nos "médios" não tem nada de "menor", sabe cumé? Aquele abraço,
Rarrarrá! Adorei as ovelhinhas... Tá, belinha, acabaste de me convencer. Fotografia deslumbrante é comigo. Vou ver e te conto, tá? Bj,
Grounhog Day é um filme excelente, eu poderia rever um milhão de vezes.
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